A Segunda Cruzada, iniciada em 1145 e convocada pelo Papa Eugênio III, foi um importante empreendimento militar empreendido por cristãos europeus em resposta à captura de Edessa pelos turcos seljúcidas. O apelo à ação do Papa revitalizou o espírito das Cruzadas, após o sucesso inicial da Primeira Cruzada. Diferente da primeira liderada por nobres, esta foi liderada por figuras notáveis ​​como o rei Luís VII da França e o imperador Conrado III da Alemanha.

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O objetivo principal era libertar a Terra Santa da ameaça da ocupação muçulmana. A Segunda Cruzada também incluiu campanhas secundárias contra os mouros muçulmanos na Península Ibérica e pagãos europeus no Báltico.

Apesar do entusiasmo inicial, a cruzada principal no Oriente foi um fracasso retumbante com a falha na captura de Edessa e um ataque desastroso a Damasco. As campanhas secundárias obtiveram sucessos limitados, como a conquista de Lisboa do controle muçulmano em 1147, que impulsionou a Reconquista na Península Ibérica.

Imad al-Din Zengi e a conquista muçulmana de Edessa

Cavalaria Zengid de Nūr-ad-Din na Batalha de Inab (1149)
Cavalaria Zengid de Nūr-ad-Din na Batalha de Inab (1149)

Zengi era atabegue de Mosul desde 1127 e governante de Aleppo desde 1128. Ele empregou esforços para reconquistar territórios muçulmanos ocupados pelos cruzados. Tendo acumulado um exército estimado em dezenas de milhares, Zengi avançou sobre Edessa com forças superiores no final de novembro de 1144.

O cerco começou em 28 de novembro, com as forças de Zengi construindo máquinas de cerco e minando as muralhas da cidade. A cidade exterior caiu rapidamente e, em 24 de dezembro, após intensos combates de rua e o colapso das defesas, as tropas de Zengi invadiram a cidadela, resultando no massacre generalizado da população cristã e armênia.

Zengi mal teve tempo de comemorar seu sucesso e foi assassinado por seus próprios escravos em 14 de setembro de 1146. Seu filho Nur al-Din assumiu o controle de Aleppo e rapidamente se estabeleceu como um líder capaz e visionário. Ele continuou a missão de seu pai de unificar as terras muçulmanas e resistir aos cruzados.

O Chamado Papal às Armas

A queda de Edessa causou grande comoção na Europa e em 1145, o Papa Eugênio III convocou uma nova Cruzada para o Oriente em sua bula papal Quantum Praedecessores. Nela, Eugênio relembra os esforços dos francos e italianos que, inspirados por seu predecessor, o Papa Urbano II, tomaram Jerusalém dos muçulmanos. O papa suplica aos cristãos que recapturem a cidade de Edessa, que havia sido recentemente tomada pelos muçulmanos.

Para estimular o interesse dos cruzados, aos cristãos que aderissem à empreitada foi prometida uma remissão total dos pecados aos participantes, mesmo se morressem durante a viagem para o Levante. Além disso, suas propriedades e famílias ficariam protegidas enquanto estivessem fora e assuntos triviais como pagamentos de juros seriam suspensos ou cancelados.

Bernardo de Claraval estimulando a Segunda Cruzada
Bernardo de Claraval estimulando a Segunda Cruzada

O apelo, apoiado por viagens de recrutamento através da Europa, notavelmente pelo abade Bernardo de Claraval, obteve um grande sucesso e dezenas de milhares de pessoas ficaram prontas para partida imediata. O rei Luís VII da França foi o primeiro a atender ao chamado. Embora a França estivesse tomada pelo fervor das Cruzadas, os alemães mostravam-se menos entusiasmados. Foi somente após a viagem do próprio abade Bernardo à Alemanha que Conrado III cedeu e se juntou à cruzada.

Durante os planejamentos para a cruzada, objetivos secundários foram incluídos na empreitada: as terras wendish além do rio Elba no Báltico e a Península Ibérica. Pouco antes da partida das forças germânicas de Conrado, um grupo de saxões solicitou permissão para lutar contra os wendos pagãos que viviam além do rio Elba. O papa concedeu-lhes a permissão e, assim, pela primeira vez, a definição de cruzada passou a incluir a guerra contra pagãos ou inimigos da Igreja. O papa também incluiu um apelo à reconquista da Península Ibérica, e os cruzados que lutaram nessa região receberam as mesmas indulgências concedidas aos cruzados que se dirigiam para o Oriente.

Campanhas na Península Ibérica e no Báltico

Península Ibérica:

Cerco de Lisboa - Segunda Cruzada
Cerco de Lisboa – Segunda Cruzada

A Península Ibérica, onde hoje ficam a Espanha e Portugal era ocupada pelos mouros muçulmanos desde o século VIII d.C., provocando inúmeras campanhas cristãs para expulsá-los da península. Em junho de 1147, uma frota de aproximadamente 160-200 navios transportando cerca de 8.000 cruzados do norte da Europa, chegou ao Porto, com a intenção de navegar para a Terra Santa como parte da Segunda Cruzada.

Lá, o rei Afonso I de Portugal, buscando expandir seu recém-fundado reino para territórios controlados por muçulmanos, persuadiu os cruzados a desviarem seus esforços para sitiar Lisboa, oferecendo-lhes partes do saque e concessões territoriais em troca de sua ajuda.

Ao chegarem, iniciou-se um cerco clássico, com máquinas de cerco, como torres, catapultas e aríetes teve início em 28 de junho de 1147 e foi bem-sucedido, com a cidade caindo em 24 de outubro do mesmo ano, após um ataque final que rompeu as muralhas. Esta vitória marcou um dos poucos sucessos da Segunda Cruzada. Alguns cruzados continuaram, com sucesso, a guerra contra os muçulmanos na Ibéria, a Reconquista, como foi chamada.

Cruzados no Báltico:

Pintura retratando as atrocidades cometidas durante a Cruzada Wendish - Wojciech Gerson
Pintura retratando as atrocidades cometidas durante a Cruzada Wendish – Wojciech Gerson

A Cruzada Wendish teve como alvo as tribos pagãs eslavas conhecidas como wendos. O principal objetivo declarado era a cristianização forçada dos wendos, com a conversão alcançada por meio do batismo voluntário ou da destruição de fortalezas e populações pagãs resistentes.

Porém, nas terras eslavas do nordeste da Europa, os reinos escandinavos e os estados setentrionais do Sacro Império Romano-Germânico vislumbraram uma oportunidade de expansão política e econômica. Qualquer intenção que Roma pudesse ter tido ao estabelecer as Cruzadas do Norte como um meio de converter almas ao cristianismo latino foi subordinada à sede de conquista territorial e integração econômica.

Entre junho e setembro de 1147, as fortalezas pagãs de Dobin e Malchow foram atacadas com sucesso, porém a campanha como um todo contra os wendos e os pagãos no Báltico se arrastaria ao longo dos séculos seguintes.

A campanha dos reis

A Segunda Cruzada foi a primeira vez que reis lideraram pessoalmente uma força Cruzada. Após dois anos de planejamento, Conrado III e seu exército partiram da Alemanha no início de junho de 1147, com aproximadamente 20.000 a 30.000 combatentes, complementados por não combatentes. O exército francês sob o comando do rei Luís VII partiu de Paris em 11 de junho de 1147, juntamente com contingentes da Lorena, Bretanha, Borgonha e Aquitânia.

Embora ambos os exércitos tivessem recebido a oferta de passagem marítima para a Terra Santa por Rogério II da Sicília, nem Conrado nem Luís confiavam plenamente nele. Os exércitos alemãs e franceses marcharam através da Europa até chegarem a Constantinopla em setembro e outubro, respectivamente.

Chegada dos cruzados a Constantinopla
Chegada dos cruzados a Constantinopla

Na Ásia Menor, Conrado decidiu não esperar pelos franceses e marchou em direção a Icônio, capital do Sultanato Seljúcida de Rum. Ignorando o aviso do imperador bizantino Manuel I Comneno de marcharem através do litoral onde estariam relativamente seguros, Conrado levou consigo os cavaleiros e as melhores tropas para marchar por terra através do interior.

Conrado subestimou o tempo necessário para atingir seu objetivo, e o exército alemão não só ficou sem suprimentos, como também foi emboscado pelas forças turcas e derrotado. Forçado a se retirar para Nicea, o contingente do rei foi quase totalmente aniquilado e até o próprio Conrado foi ferido, porém conseguiram levá-lo de volta para Constantinopla.

Quando o exército francês chegou a Niceia, encontrou os remanescentes do exército de Conrado e continuou para leste. O exército cruzado enfrentou escassez de suprimentos, clima hostil e emboscadas dos turcos seljúcidas, mas Luís finalmente chegou a Antioquia em 19 de março de 1148.

As forças alemãs, originalmente com cerca de dezenas de milhares de homens, foram reduzidas a alguns milhares de combatentes efetivos. O contingente francês, estimado inicialmente em cerca de 15.000 homens, mas que diminuiu de forma semelhante, partiu de Antioquia no final da primavera e marchou para o sul para se juntar a Conrado em Jerusalém.

O fiasco cruzado em Damasco

Os remanescentes dos exércitos alemão e francês seguiram para Jerusalém, de lá, planejaram atacar Damasco, de posse muçulmana, a ameaça mais próxima para Jerusalém e um prêmio de prestígio. Embora Damasco já estivera em aliança com o Reino cristão de Jerusalém, as volúveis lealdades entre os vários estados muçulmanos justificavam a falta de garantias para o futuro. A situação tornou-se mais urgente devido à perspectiva real de que os muçulmanos de Damasco poderiam se unir aos de Aleppo sob o comando do ambicioso conquistador de Edessa, Nur al-Din.

Cerco a Damasco
Cerco a Damasco

Segundo o historiador Guilherme de Tiro, Damasco era cercada por pomares que se assemelhavam a um denso bosque ou floresta sombreada no lado oeste e norte da cidade. Os cruzados chegaram a Damasco em 24 de julho e decidiram atacar pelo oeste, onde os pomares lhes forneceriam um suprimento constante de alimentos.

Os muçulmanos, bem preparados, atacaram constantemente o exército que avançava pelos pomares nos arredores de Damasco. Segundo Guilherme de Tiro, em 27 de julho, os cruzados decidiram se deslocar para a planície a leste da cidade, que era menos fortificada, mas também tinha muito menos comida e água. Os defensores buscaram ajuda de Saif ad-Din Ghazi I de Mosul e Nur al-Din de Aleppo, que lideraram pessoalmente um ataque ao acampamento cruzado.

O combate ao redor da cidade foi feroz com pesadas baixas em ambos os lados, mas sem que houvesse qualquer avanço significativo. Após apenas quatro dias de cerco, os reis não tiveram escolha a não ser abandonar a cidade. Primeiro Conrado, e depois o restante do exército, decidiram recuar para Jerusalém em 28 de julho.

As forças combinadas sofreram uma derrota humilhante ao atacar Damasco, pondo um fim desastroso à Segunda Cruzada, que havia começado de forma tão grandiosa. Conrado III retornou à Europa em setembro de 1148 e Luís, após uma visita à Terra Santa, fez o mesmo seis meses mais tarde.

Conclusão

Apesar dos ânimos iniciais, a Segunda Cruzada terminou em fracasso devido às falhas na logística, a incapacidade das forças europeias de agirem em conjunto e a falta de objetivos claros. O desastre da Segunda Cruzada levou a amargas recriminações entre os europeus, que atribuíram o fracasso à ira de Deus contra a liderança cristã ou à traição bizantina.

No Oriente, a Segunda Cruzada serviu apenas para inspirar ainda mais a unidade muçulmana. Nur al-Din continuou a consolidar seu império, tomando Antioquia em junho de 1149. Em seguida, Nur al-Din tomou Damasco em 1154, unindo a Síria muçulmana. Quando Shirkuh, general de Nur al-Din, conquistou o Egito em 1168, foi pavimentado o caminho para uma nova e maior ameaça à cristandade, o futuro líder muçulmano Saladino.

Referências

  • Crusaders on the Baltic Shore – The Wendish Crusade (1147 – c.1185) – https://thepostgradchronicles.org/2017/07/09/crusaders-in-the-north-the-wendish-crusade-1147-c-1185/
  • The Origin of the Second Crusade – Sandra Alvarez – https://deremilitari.org/2014/03/the-origin-of-the-second-crusade/
  • Medieval Sourcebook: William of Tyre:The Fiasco at Damascus, 1148 – https://sourcebooks.web.fordham.edu/source/tyre-damascus.asp
  • Second Crusade – Mark Cartwright – https://www.worldhistory.org/
  • Second Crusade – Henningfeld, Diane Andrews – https://www.ebsco.com/research-starters
  • Guilherme de Tiro, Historia rerum in partibus transmarinis gestarum , XVII, 3-6, Patrologia Latina 201, 675-79
  • A Brief History of the Zengid Dynasty – https://riwaya.co.uk/riwaya-blog/a-brief-history-of-the-zengid-dynasty