As Sete Maravilhas do Mundo Antigo são uma lista renomada de sete realizações arquitetônicas e artísticas extraordinárias da Antiguidade clássica. Selecionadas por escritores gregos antigos, essas maravilhas exemplificam o engenho humano em engenharia, escultura e construção monumental.

Embora listas de maravilhas tenham sido criadas já no século V a.C., o exemplo mais famoso foi desenvolvido pelo escritor grego do século II, Antípatro de Sidon, que celebrou esses feitos da capacidade humana por meio da poesia.

A lista moderna foi desenvolvida no período do Renascimento, quando o interesse pelo mundo clássico foi renovado, e consiste na Grande Pirâmide de Gizé, nos Jardins Suspensos da Babilônia, na Estátua de Zeus em Olímpia, no Templo de Ártemis em Éfeso, no Mausoléu de Halicarnasso, no Colosso de Rodes e no Farol de Alexandria.

Confira a seguir a história e os detalhes de cada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo:

1. Grande Pirâmide de Gizé

A única das Sete Maravilhas do Mundo Antigo que ainda existe é também a mais antiga, e por quase 4.000 anos, foi a estrutura mais alta já erguida pelo homem. A Grande Pirâmide foi construída por volta de 2580 e 2560 a.C. como túmulo para o faraó Khufu (Quéops).

As proporções da pirâmide são colossais, mesmo para os padrões modernos. A altura original, da base ao topo, era de cerca de 147 metros, embora o tempo tenha reduzido essa altura para cerca de 138 metros. O comprimento de cada lado na base tem uma média de 230 metros. Ao longo de seus 20 anos de construção, cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra foram utilizados para criar este monólito de 5,22 milhões de toneladas. Até hoje não se sabe exatamente como foi construída.

Atualmente, a Grande Pirâmide apresenta um exterior desgastado pelo tempo, mas quando foi concluída, era revestida de calcário branco, que brilhava intensamente e era visível a quilômetros de distância em todas as direções ao redor do local. Além disso, no topo, uma pedra angular coroava o ápice da estrutura, provavelmente esculpida em granito polido e revestida de uma liga de ouro e prata, para brilhar sob a luz do sol e simbolizar o brilho divino.

Como Patrimônio Mundial da UNESCO, a Grande Pirâmide exemplifica o ápice da proeza arquitetônica e de engenharia do antigo Egito, refletindo as crenças religiosas da sociedade na vida após a morte e no poder faraônico.

2. Jardins Suspensos da Babilônia

Segundo a lenda, os Jardins Suspensos da Babilônia foram construídos pelo rei babilônico Nabucodonosor II por volta de 600 a.C. como uma homenagem à sua esposa, Amytis, que sentia falta de sua exuberante terra natal na Pérsia.

De acordo com relatos gregos, os jardins apresentavam níveis ascendentes de terraços abobadados plantados com árvores, arbustos e flores, sustentados por colunas de pedra, e irrigados por água bombeada do rio Eufrates por meio de um sistema hidráulico ou de parafuso avançado.

Escritores gregos como Diodoro Sículo e Estrabão, descreveram os jardins elevando-se a aproximadamente 23–30 metros de altura e abrangendo vários hectares, evocando um efeito de “suspensão”, como se as plantas flutuassem acima das muralhas da cidade.

Devido à falta de evidências arqueológicas e a ausência de registros babilônicos sobreviventes que os mencionem, não há muitas evidências diretas de que os jardins realmente existiram. Como resultado, alguns historiadores questionam se os jardins realmente existiram. Uma teoria é que Diodoro e outros escritores antigos se enganaram quanto à localização, e os jardins foram, na verdade, construídos na cidade mesopotâmica de Nínive.

3. Estátua de Zeus em Olímpia

Estátua de Zeus em Olímpia
Estátua de Zeus em Olímpia

A Estátua de Zeus em Olímpia era uma colossal estátua criselefantina (uma técnica artística que mistura ouro e marfim), esculpida pelo renomado escultor Fídias por volta de 435 a.C. e instalada no Templo de Zeus, dentro do antigo santuário de Olímpia, no oeste do Peloponeso, na Grécia.

Considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo por sua maestria artística e escala, a estátua foi construída com um núcleo de madeira revestido com marfim para a pele e placas de ouro para as vestes e ornamentos, enquanto o trono era ricamente adornado com ouro, marfim, ébano, pedras preciosas e figuras esculpidas.

Estátua de Zeus em Olímpia - Réplica
Estátua de Zeus em Olímpia – Réplica

Pausânias, um escritor, viajante e geógrafo, a descreveu em detalhes em sua obra, Descrição da Grécia:

“O deus está sentado em um trono feito de ouro e marfim. Em sua cabeça, repousa uma grinalda que é uma réplica de ramos de oliveira. Em sua mão direita, ele carrega uma Vitória que, assim como a estátua, é de marfim e ouro; ela usa uma fita e, em sua cabeça, uma grinalda. Na mão esquerda do deus, há um cetro ornamentado com todo tipo de metal, e a ave pousada no cetro é a águia. As sandálias do deus também são de ouro, assim como sua túnica. Na túnica, estão bordadas figuras de animais e flores de lírio. O trono é adornado com ouro e joias, além de ébano e marfim. Sobre ele, há figuras pintadas e imagens esculpidas. Há quatro Vitórias, representadas como mulheres dançantes, uma em cada pé do trono e duas outras na base de cada pé… Nas partes mais altas do trono, Fídias fez, acima da cabeça da imagem, três Graças de um lado e três Estações do ano de um lado.” Por outro lado… sei que a altura e a largura do Zeus Olímpico foram medidas e registradas; mas não elogiarei aqueles que fizeram as medições, pois mesmo seus registros ficam muito aquém da impressão causada pela visão da imagem.”

No final do século IV d.C., foi transportada para Constantinopla, onde pereceu num incêndio por volta de 475 d.C., não deixando vestígios físicos, mas perdurando através de descrições antigas e representações artísticas posteriores.

4. Templo de Ártemis em Éfeso

O Templo de Ártemis, conhecido na Antiguidade como Artemísio, era um vasto templo jônico dedicado à deusa Ártemis na cidade grega de Éfeso. O templo foi projetado e construído por volta de 550 a.C., principalmente em mármore, e foi patrocinado por Creso, rei da Lídia.

Em seu auge, media aproximadamente 130 metros de comprimento e 69 metros de largura, apresentando um arranjo com fileiras duplas de 127 colunas jônicas de mármore, cada uma com cerca de 18 metros de altura. Renomado por sua grandiosidade arquitetônica e como um centro de culto, comércio e peregrinação, o templo simbolizava a prosperidade e a proeminência cultural de Éfeso. Ele foi incluído entre as Sete Maravilhas do Mundo Antigo por meio de relatos antigos que elogiavam sua escala e ornamentação.

Antípatro de Sidon, um poeta e escritor a quem é atribuida a criação da lista das sete maravilhas do Mundo Antigo, elegeu o templo como a mais impressionante das maravilhas:

“Contemplei a muralha da altiva Babilônia, onde há uma estrada para carros, e a estátua de Zeus, junto ao Alfeu, e os jardins suspensos, e o colosso do Sol, e a imensa obra das altas pirâmides, e o vasto túmulo de Mausolo; mas quando vi a casa de Ártemis que se elevava até as nuvens, essas outras maravilhas perderam seu brilho, e eu disse: “Eis que, além do Olimpo, o Sol jamais contemplou algo tão grandioso”.”

O templo foi destruído por um incêndio criminoso em 356 a.C. por Heróstrato, que realizou esse ato bárbaro buscando fama a qualquer custo. Foi reconstruído e destruído novamente pelos godos em 262 d.C., mas os efésios o reconstruíram novamente. No século IV, a maioria dos habitantes de Éfeso eram cristãos e, em 391, todos os templos pagãos foram fechados por ordem do imperador romano Teodósio. Finalmente, o templo foi destruído em 401 por um grupo liderado por São João Crisóstomo.

O sítio arqueológico do templo foi redescoberto em 1869 graças a uma expedição arqueológica patrocinada pelo Museu Britânico. No antigo local do templo, resta apenas uma coluna construída com diversos fragmentos encontrados no sítio.

5. Mausoléu de Halicarnasso

O Mausoléu de Halicarnasso foi um imponente túmulo construído em meados do século IV a.C. na antiga cidade grega de Halicarnasso para homenagear Mausolo, o sátrapa persa da Cária que morreu em 353 a.C. Encomendado por sua viúva e irmã, a rainha Artemísia II, a estrutura foi projetada pelos arquitetos gregos Sátiro e Píteo, que incorporaram elementos inovadores, mesclando os estilos persa e grego.

Era tão impressionante que deu origem à palavra “mausoléu”, sendo usada para muitos túmulos monumentais. O edifício era ricamente decorado com uma grande quantidade de esculturas, atingia aproximadamente 45 metros de altura e apresentava uma base retangular, elevada sobre um pódio alto adornado com frisos intrincados representando batalhas mitológicas. Circundando a base havia uma colunata de 36 colunas jônicas, acima da qual se erguia um telhado piramidal escalonado com 24 níveis, no topo erguia-se uma carruagem de quatro cavalos puxada por uma figura que representava provavelmente Mausolo ou Apolo.

A estrutura resistiu por quase 1.800 anos até que sucessivos terremotos entre os séculos XI e XV d.C. a danificaram severamente, reduzindo grande parte do edifício a escombros.

6. Colosso de Rodes

Colosso de Rodes – representação artística
Colosso de Rodes – representação artística

O Colosso de Rodes era uma monumental e como o próprio nome sugere, colossal estátua de bronze representando Hélio, o deus grego do sol. Foi erguida no porto da antiga cidade grega de Rodes entre 292 e 280 a.C. pelo escultor Cares de Lindos.

O monumento media aproximadamente 33 metros de altura e foi construído com placas de bronze fixadas sobre uma estrutura de ferro, com blocos de pedra internos para estabilidade, e levou cerca de 12 anos para ser concluído, financiado pela venda de equipamentos de cerco abandonados de uma invasão macedônia fracassada.

A estrutura resistiu por apenas 56 anos antes de um terremoto em 226 a.C. derrubá-la na base. Relatos antigos enfatizam sua maravilha da engenharia: mesmo após sua queda, o polegar da estátua era grande demais para um ser humano abraçá-lo, e seu dedo ultrapassava o tamanho de muitas estátuas inteiras, revelando vazios internos quando quebrado.

Embora tenha permanecido de pé por poucas décadas antes de ser destruído, sua fama atravessou séculos, tornando-se um dos monumentos mais lendários da Antiguidade. Como um arquétipo de monumentos colossais, o Colosso moldou profundamente as percepções da engenharia antiga, servindo como um parâmetro para ícones posteriores como a Estátua da Liberdade.

7. Farol de Alexandria

Reconstrução do Farol de Alexandria
Reconstrução do Farol de Alexandria

O Farol de Alexandria foi construído por volta de 270 a.C. em Faros, uma ilha no porto de Alexandria, no Egito. Considerado uma obra-prima da engenharia, este antigo farol serviu de modelo para todos os faróis que se seguiram.

Concebido como um marco de navegação para os viajantes ao longo da costa egípcia, o farol tinha cerca de 120 metros de altura, sendo uma das estruturas mais altas do mundo antigo. No topo, possuía um espelho que refletia os raios do sol durante o dia e uma chama era acesa à noite, garantindo que os viajantes sempre fossem guiados por sua luz.

O farol resistiu por mais de 1.500 anos, e permaneceu de pé até ser destruído por diversos terremotos entre os séculos X e XIV. Hoje, não restam ruínas do farol acima da água. No local onde o farol se erguia encontra-se o forte egípcio de Qaitbay, construído com algumas das pedras das ruínas do farol.

Referências

  • Novas Perspectivas sobre a Grande Pirâmide – https://www.academia.edu/3385375/New_Angles_on_the_Great_Pyramid
  • Great Pyramid of Giza – Joshua J. Mark – https://www.worldhistory.org/Great_Pyramid_of_Giza/
  • Where Are the Hanging Gardens of Babylon? – Nathan Steinmeyer – https://www.biblicalarchaeology.org/daily/ancient-cultures
  • The Hanging Gardens of Babylon: The Elusive Ancient Wonder – Kieren Johns – https://www.thecollector.com/hanging-gardens-babylon/
  • Mausoleum of Halicarnassus – https://turkisharchaeonews.net/
  • Mausoleum at Halicarnassus – Jarrett A. Lobell – https://archaeology.org/
  • Pausânias, Descrição da Grécia – https://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.01.0160%3Abook%3D5%3Achapter%3D11
  • https://penelope.uchicago.edu/encyclopaedia_romana/greece/hetairai/zeus.html#anchor5371
  • Temple of Artemis – https://7wonders.org/
  • Temple of Artemis at Ephesus – Omer Yildiz – https://www.bestephesustours.com/
  • The Temple of Artemis at Ephesus – Randall Niles – https://drivethruhistoryadventures.com/
  • Colossus of Rhodes – Benjamin Leonard – https://archaeology.org/
  • Lighthouse of Alexandria – Mark Cartwright – https://www.worldhistory.org/
  • O Farol de Alexandria: A Maravilha Antiga que Iluminou o Mediterrâneo – https://www.egypttoursportal.com/en-us/blog/alexandria-attractions/ancient-lighthouse-of-alexandria/